Limpe seu nome sem pagar a dívida / conta (é golpe)

Basta fazer uma busca em sites de pesquisa como Google ou Yahoo por palavras como SPC ou Serasa, para encontrar anúncios com promessas milagrosas para se tirar o nome de um consumidor do cadastro de inadimplentes, e o melhor de tudo: sem precisar pagar seus débitos.


Caso fosse assim tão fácil os cadastros de inadimplentes estariam vazios, os bancos estariam falindo, assim como as empresas como SPC e Serasa, que obtém seus lucros através do gerenciamento destes bancos de dados da inadimplência.

Esses manuais costumam ser livretos de 20 a 30 páginas ensinando supostas dicas e macetes para tirar o nome do consumidor do SPC ou da Serasa.

Um exemplo, são as entradas com processos baseadas em mentiras – o que por si só já é considerado perjúrio. Esses manuais afirmam que o consumidor pode entrar com uma “Obrigação de Fazer” no Juizado Cível – o antigo Tribunal de Pequenas Causas – contra o credor alegando unicamente que “desconhecia a dívida” e que ficou “surpreso com a cobrança”.

Sendo assim, o juiz daria ao consumidor uma liminar para que seu nome saia do cadastro de inadimplente. Na realidade, nenhum juiz concede esse tipo de liminar apenas com a alegação de que o consumidor “desconhece a dívida”.

Para isto, os juíze aguarda uma audiência de conciliação, que pode demorar entre 10 a 30 dias depois do ajuizamento da ação. Nesta  audiência se verifica a documentação que o credor possui em relação a dívida.

Mesmo que o juiz dê uma liminar para retirar o nome do devedor da negativação, seria temporariamente – como quando o consumidor solicita a “tutela antecipada”.

Apenas até a data da audiência, uma vez que na própria audiência o credor – seja uma loja, um banco, um cartão de crédito, etc. – levará documentos que provam a existência da dívida. Sendo assim, o nome do consumidor volta a ser inscrito na negativação – e o consumidor ainda pode ser condenado ao pagamento das custas processuais.

Outra orientação constante nesses manuais, é a de se criar ou alterar documentos públicos (como certidões, ofícios judiciais, etc) usando programas de computador para edição de imagens, alteração de dados, datas, etc., o que corresponde ao crime de falsidade ideológica e/ou falsidade documental.

Essa é a pior das orientações que qualquer pessoa poderia seguir, pois trata-se de algo facilmente descoberto e, além da negativação, o consumidor pode responder a processo criminal por fraude.

Percebe-se claramente, neste tipo de anúncio, que essas pessoas se aproveitam da ingenuidade e do desespero de muitos consumidores que tem seus nomes negativados e que veem neste tipo de anúncio uma resolução para sua pendência financeira.

Assim como não existe dinheiro fácil, também não existe nenhuma fórmula mágica para se quitar uma dívida.

O que temos por aí são golpistas que se aproveitam da ingenuidade e da falta de conhecimento da população para orientar formas erradas e criminosas de agir. Em vez de se resolver um problema simples, o consumidor corre o risco de multiplicá-lo por dois!

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