Negativação na terceira idade

Recentemente o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) junto com o portal de educação financeira Meu Bolso Feliz encomendaram uma pesquisa sobre a atividade econômica na terceira idade e revelou alguns dados preocupantes. 57% dos idosos entrevistados não tem qualquer tipo de reserv de dinheiro e, por mais que tenham autonomia econômica, 54% deles possuem dívidas porque não sabem controlar suas finanças. Dos idosos entrevistados, 32% já tiveram o nome negativado.

Apesar de 72% dos consumidores com mais de 60 anos declararem que tem uma situação financeira estável, esta tranquilidade não parece ter sido conquistada com uma preparação financeira ao longo dos anos para se aproveitar a terceira idade.

A maioria dos idosos está despreparada quando se fala em imprevistos – aqueles que não tem nenhum tipo de investimento nem de reserva financeira. Essa situação é mais comum entre entrevistados com baixa escolaridade e aqueles que pertencem a classe D e E – respectivamente 68% e 77% dos entrevistados.

A família como vilã?

Segundo dados do estudo, a maioria dos idosos entrevistados não conseguem ter uma situação financeira saudável por causa da sua preocupação com familiares. 47% dos entrevistados garantem que pensam no futuro da família e acabam deixando de fazer coisas que gostariam de fazer para manter uma reserva financeira e, nos piores casos, acabam se endividando para ajudar os parentes.

Os consumidores da terceira idade garantem que estão no comando de suas ações financeiras e declaram ser independentes para tomar sua próprias decisões financeiras – 81% afirmaram não depender de ninguém para gerir as próprias contas.

Contudo, a pesquisa aponta que esta autonomia não vem acompanhada de um amadurecimento das práticas de educação financeira, apenas 1 em cada dez entrevistados com mais de 60 anos – 41% – dizem saber como calcular os juros dos empréstimos.

Este percentual é maior entre os homens (45%), entre os entrevistados que tem escolaridade superior (67%), e entre os entrevistados que estão nas classes A e B (55%). E apenas 9% dos entrevistados afirmaram fazer transações bancárias e pagar contas através do Internet Banking.

O estudo do SPC Brasil e do Meu Bolso Feliz questionou ainda sobre as maneiras que os entrevistados utilizam para manter o controle das suas finanças. 38% declararam fazer uso de algum tipo de controle, seja por anotações em papel ou agendas.

Entretanto, 40% dos entrevistados garantem fazer seu controle todo de cabeça, enquanto 14% admitem não fazer nenhum tipo de controle sobre as próprias finanças. No geral, 74% dos entrevistados declaram não perder mais o controle de seu orçamento, do que alguns anos atrás.

Endividamento também é realidade na terceira idade

Segundo dados do estudo, as dívidas em atraso também são realidade na vida de consumidores idosos. Três em cada dez entrevistados (32%) já tiveram o nome incluído em serviços de proteção ao crédito somente nos últimos doze meses.

De acordo com estimativas do Serviço de Proteção ao Crédito – SPC do Brasil – o número de idosos inadimplentes chega a 4 milhões de pessoas, o que representa 25% da população brasileira com mais de 65 anos.

A média nacional de crescimento de pessoas inadimplentes na base do SPC é de 3,8% nos dias de hoje mas, considerando apenas a população entre 64 e 94 anos, o crescimento é de 7,5%, quase o dobro da média.

O estudo ainda aponta que a causa mais comum para os idosos terem o nome negativado é o fato de terem ajudado pessoas próximas, em geral familiares – 21% dos entrevistados. Segundo o estudo, a segunda causa mais comum é o mau planejamento financeiro, com 19% das respostas. Seguem problemas de saúde (11%), descontrole dos gastos (8%) e cobranças indevidas (6%).

Este estudo foi muito interessante quanto a sua iniciativa de mapear o perfil e o comportamento de consumo da população idosa no Brasil. O SPC Brasil e o Meu Bolso Feliz entrevistaram pessoalmente 632 mil consumidores com idade acima de 60 anos, homens e mulheres de todas as classes sociais nas 27 capitais de estado do país.

A margem de erro é de aproximadamente 3,9 pontos percentuais para um intervalo de confiança de 95%. O que significa que em 100 levantamentos com esta mesma metodologia, os resultados estarão dentro da marge de erro em 95 ocasiões.

1 Resposta

  1. maria helena Smarsaro de souza 20 de novembro de 2014

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